novembro 05, 2010

A morte e a dor

Vista e examinada minuciosamente de alto e de longe, a vida de cada homem tem o aspecto de uma comédia; em sua total consideração ou em seus aspectos mais dignos de apreço, se apresentará como uma contemplação trágica. 
O afã e o trabalho de cada dia, os desejos e receios cotidianos, as desgraças de cada hora, os acasos da sorte sempre disposta a nos enganar são outras tantas cenas da comédia. 
As aspirações iludidas, as ilusões desfeitas, os esforços baldados, os êrros que completam nossa vida, as dores que se acumulam até terminar na morte, o último ato, eis a tragédia. Parece que o destino quis juntar o escárnio ao desespero, e, fazendo de nossa vida uma tragédia, não nos permite conservar a dignidade de uma personagem trágica. 
Por isso é que em todos os atos da vida representamos o lamentável papel de cômicos.

  Arthur Shopenhauer

outubro 19, 2010

Que bicho interessante é o ator!


Meu corpo todo me conduz
Cada parte a seu tempo
Meu peso me afunda no chão
Mas articulo novamente
Minha ágil subida
Resisto, não desisto
Expando meus horizontes e minha matéria
Na direção do infinito

por: Maína Alexandre

setembro 13, 2010

REFLEXÕES SOBRE A ARTE CÊNICA (Plínio Marcos)

A TUCANTE MARIA FERNANDA NOS
ENVIA ESSE TEXTO PARA LEITURA.

Teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se pode discutir até as últimas conseqüências os problemas dos homens.

A arte é uma magia. A gente aprende, mas ninguém ensina.

A técnica é uma coisa mecânica. Disso ninguém duvida. Mas, o artista, por mais sensível que seja, não pode dispensa-la totalmente, até poder usa-la de forma que ninguém perceba que ele tem técnica. Por isso, tem que usar a técnica sem pensar nela, sem senti-la. Aí, então o artista pode se valer da técnica para extravasar seus sentimentos. No sentido de aprender a técnica, a escola pode ser útil.

Existem dezenas de cursos de arte dramática na cidade. Existem milhares de aprendizes de ator nesses cursos. Porém, só um numero reduzido deles assiste aos espetáculos em cartaz. Esses estudantes querem ser artistas, mas não amam a arte. Alegam dificuldades financeiras para não verem as peças. Mentira. Não tem amor ao teatro, por isso nem pensam em sacrificar duas cervejas por um bom espetáculo. O pior de tudo é que seus professores nem sequer sugerem aos alunos que eles devam ver os grandes atores em cena.

Um diretor não pode dar nada ao ator, pois não há o que dar. Um diretor pode instigar um ator a procurar dentro de si mesmo aquilo de que precisa. Por mais que o ator insista em pedir luz ao diretor, ele não pode ir além do limite de incentivador. Mesmo que tente, o diretor não conseguirá dar. Quanto mais tentar, mais o diretor e o ator, vão se embrutecendo, se reduzindo o diretor a um amestrador e o ator a um animal treinado. Nada que vem de fora ajuda um ator a criar seu personagem. Ele tem que nascer dentro do ator, nutrido de coisas que estão dentro dele, ator.

Um dia, fui assistir a um ensaio teatral. Não gosto disso, mas fui. Desse ensaio participavam um velho ator cheio de experiência, um jovem ator cheio de entusiasmo e um diretor cheio de sucessos. O velho ator se valia de truques, caretas, clichês. O jovem ator se esforçava, gritava, espumava, inchava a veia do pescoço, suava. O diretor, de mau-humor, tédio, desprezo pelo trabalho, se limitava a corrigir as marcas. Nenhum deles procurava nada. Por que ensaiavam? não sei.

Encontrei uma bela moça que se formou em arte dramática. Perguntei o que pretendia fazer. Sem constrangimento, respondeu que tinha levado fotos para uma agencia de publicidade e aguardava alguma chamada para participar de comerciais. Será que alguém precisa estudar para isso?

Eu logo reconheço quem está no teatro obedecendo a um imperioso apelo vocacional, ou quem está procurando espaço para passear sua beleza. Aos primeiros, trato como irmãos. É gente que exerce seu oficio como sacerdócio. Merecem todo meu respeito, minha admiração, meu amor. Do segundo tipo de gente, tenho pena. Jamais a arte e a poesia vão brotar do interior de pessoas fracas.

Onde existe autoritarismo, o artista é sufocado. O autoritarismo gera obscurantismo, que favorece o copiador, o bobo da corte e os senhores da estética decorativa.

O critico de arte tem muita importância no sentido de ajudar o artista a conscientizar seu trabalho, a registrar se as propostas foram realizadas, as metas atingidas. Esse é no meu entender, o papel do crítico. Porém quando um indivíduo, só porque tem um espaço em jornal, tv, rádio se nomeia critico e passa a escarrar regra, dizendo sem cerimônia o que o artista devia ou não devia fazer, ou então se limitando a dizer que uma coisa é bonita ou feia, sem saber das explicações, fundamentar suas opiniões, esse indivíduo não passa de um cretino, daninho na medida da tiragem jornal onde escreve ou da audiência do seu programa. Ele deve ser desprezado pelos artistas, já que pelo público são completamente ignorados.

O ator começa a ficar soberano do seu talento, quando ganha consciência de que entra no palco para servir e não ser servido.
 

junho 16, 2010

O bicho de cada um...

Então...numa quinta-feira durante uma aula, um ator expressou uma inquietação:

"ACHO QUE TENHO UM BICHO DENTRO DE MIM"
Todos na roda o olharam e num espasmo do cotidiano riram um riso despretensioso, dividido... gostoso...

Porém, no outro dia, algo parecia diferente... Os pensamentos estavam latentes precisam sair, precisavam expelir, precisavam...

Então, cada um diante de seu mundo virtual, soltou seu bicho interior.


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Oie, Quero me abrir com vcs e dizer que estou muito feliz com o universo por nos proporcionar esse encontro...sempre me achei louca e a margem das pessoas...e agora percebi que existem seres como euzinha...minha loucura, minha busca, minha consistencia nos ideais e inconsistencia nas atitudes que fazem todo o sentido de algum jeito dissonante. Tenho muita dificuldade de estar presente sem pensar paralelamente nas perspectivas. Isso me deixa ausente. Mas fico feliz cada vez que me alimento do nosso encontro.
Bjs, Naia
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Naiá, linda! também compartilho das mesmas angústias. acredito que esta oportunidade que temos é única, original. o sentimento de estar à margem é coisa humana e penso que nunca vamos nos sentir completamente inseridos. é um dos fatores que, particularmente, me faz buscar, acreditar, ter fé e compartilhar. às vezes, também tenho o sentimento de que estou sozinho na vida, preso às minhas emoções, dando a volta em mim mesmo, mas quando me abro, percebo que todos têm dramas parecidos. e isso é uma questão de compartilhar, trocar emoções; o aprendizado se dá através do relacionamento com o outro, principalmente no teatro: lugarzinho que tenho dificuldade para me ver. somos só contradições: coerentes, incoerentes, sombrios, iluminados, consciente, inconscientes, etc e tal. rs uma coisa na haveria sem a outra. agradeço a todos pelas experiências. acho, eu, que é só o que levamos daqui.
beijos no coração de todos!
Rodrigo
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É muito bom ler esses depoimentos.
Eu também compartilho dessas angústias.
Beijos à todos,
Ângela
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Gente, podemos mudar o nome do nosso grupo de Tucantes, para Angustiantes...
ok, brincadeira, foi mal, não tô mais aqui....
bjo, Lupetrin
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Eu pensei em TOCANTES, Lú! hehehe
Naia querida, abra-sa sempre, por favor. É bom demais saber-sentir a sua experiência, ainda mais porque compartilho desta sensação de não pertencimento ao que existe por aí e, portanto de encontro com a possibilidade de aceitação que o teatro, a arte, o encontro entre todos nós, através desta inguagem, proporciona. Eu, cá com minhas pequenesas referentes ao meu microscópico universo, tendo à ausência e sinto-me resgatada pelos encontros, as vezes mais, outras vezes menos, mas fato é: em alguma medida, sempre! Eu sei de pouca coisa que quero na/da/para a minha vida, uma delas é o trans-encontro pela arte, principalmente estas que fisicalizam e em grupo... Tenho descoberto que para saber de mim, preciso estar em mim, em contato com o outro, mas também tenho descoberto a fundamental necessidade da subllimação e é isto o que este nosso teatro nos proporciona!
Enfim, obrigada pelo seu carinho, pela sua disponibilidade para abrir-se e estimular abertura.
beijos, abraço e tim!tim!
Mila
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Muito legal vc ter se aberto, Naiá =)
Tem sido muito bom compartilhar com vocês essa energia toda, alguma vezes de angustia, algumas vezes de muito amor (como foi o caso de hj na aula da Dani). Com certeza esses encontros tem sido sempre momentos de resgate pra mim... Saio sempre com o humor e as forças renovados.
E é por isso que eu quero saber quem vai estar em SP em julho... segundas e quintas pra mim já fazem parte da minha rotina como um momento de apredizado, de libertação, de cumplicidade.... não vou conseguir ficar sem isso um mês todo! hahahaha Proponho que organizemos alguma coisa para esses dias, leituras, exercícios ou só bate-papo... Quem anima?
Amo vcs.
Beijos,
Ninalexan
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Oi, pessoal.
É realmente maravilhoso que este nosso teatro nos proporcione encontros assim como os que temos tido. Sinto-me também muito ligado a vocês, aumentando e renovando meu carinho por todos a cada semana. Que a atmosfera de confiança, carinho e companheirismo continue a nos envolver.
Estarei em julho com vocês.
Super beijo a todos,
Marcos.
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Realmente o Teatro tem esse poder,seja no fazer ou no contemplar,ele TRANSFORMA!!!
Tem sido muito bom pra mim tbm todo esse processo.
Quero tbm m mexer em julho,pq senão vai ser mtu triste!Poderíamos colocar em prática aquele velho plano além-Tuca...
bj a tds e sdds!
Pri.

E naquele instante, o dia ficou mais feliz...