setembro 14, 2011

Há algo de podre no reino da Dinamarca.

Por quê encenar (este texto)?

Por que teatro? Arte?

Ser ou não ser?


Após dois anos de curso, pensando nos comos e porquês da existência (a artística, especialmente), viemos encerrar este período de experiências com Hamlet Máquina, de Heiner Muller.

Escrito em 1977, o texto aborda questões que em um primeiro momento podem parecer específicas, encerrando-se naquele contexto histórico. A peça vem freneticamente fragmentada, ressuscitando os mortos, já que somente a humanidade redimida poderá apropriar-se totalmente do seu passado1. E através deste jogo de exumações, transita na existência, permeando o homem: suas questões individuais (micropolítica) e suas reverberações (macropolítica)2 , a irrefutável condição tão precária do humano.

Algo de podre que fede e inquieta a alma, nos move, faz querer entrar em cena para comunicar, comungar. A mesmice apática do conformismo convencional irrompe nossos corpos pelo torpor, que então se manifesta artisticamente. Por que a história se repete? A história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo e vazio, mas um tempo saturado de “agoras” (...) Não existem, nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram?3 .

Mais uma vez a primavera, o afloramento de ideias, sentimentos, inconformismos, a vontade de ser.


1 BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história.
2 ROLNIKY, Suely. A que vem este arquivo. - texto que acompanha o box das entrevistas feitas sobre Ligya Clarck]
3 BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história.

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