Por quê encenar (este texto)?
Por que teatro? Arte?
Ser ou não ser?
Após dois anos de curso, pensando nos comos e porquês da existência (a artística, especialmente), viemos encerrar este período de experiências com Hamlet Máquina, de Heiner Muller.
Escrito em 1977, o texto aborda questões que em um primeiro momento podem parecer específicas, encerrando-se naquele contexto histórico. A peça vem freneticamente fragmentada, ressuscitando os mortos, já que somente a humanidade redimida poderá apropriar-se totalmente do seu passado1. E através deste jogo de exumações, transita na existência, permeando o homem: suas questões individuais (micropolítica) e suas reverberações (macropolítica)2 , a irrefutável condição tão precária do humano.
Algo de podre que fede e inquieta a alma, nos move, faz querer entrar em cena para comunicar, comungar. A mesmice apática do conformismo convencional irrompe nossos corpos pelo torpor, que então se manifesta artisticamente. Por que a história se repete? A história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo e vazio, mas um tempo saturado de “agoras” (...) Não existem, nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram?3 .
Mais uma vez a primavera, o afloramento de ideias, sentimentos, inconformismos, a vontade de ser.
1 BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história.
2 ROLNIKY, Suely. A que vem este arquivo. - texto que acompanha o box das entrevistas feitas sobre Ligya Clarck]
3 BENJAMIM, Walter. Sobre o conceito de história.
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