Em 1963, Roland Barthes escreveu em "Literatura e significação" ["Littérature et signification"]: "O que é o teatro? Uma espécie de máquina cibernética". A afirmação soa tão clarividente décadas depois porque parece incluir o fator essencial da reação, da interação. Por outro lado, nota-se também uma limitação nesse modo de concepção: no sentido da conjuntura do pensamento semiológico daquele período, Barthes via o teatro como uma máquina de informação que gera significado, o qual é decifrado pelo espectador mediante um ato cognitivo. Ocorre porém que a estrutura de comunicação do teatro não tem seu centro no fluxo de informações, mas em outro tipo de significação, que inclui a morte. A informação está fora da morte, para além da experiência do tempo. Já o teatro, na medida em que nele o emissor e o receptor envelhecem juntos, é uma espécie de "insinuação da mortalidade" - no sentido da observação de Heiner Müller de que o "moribundo em potencial" constitui a especificidade do teatro.
Na tecnologia de comunicação midiática, o hiato da computadorização separa os sujeitos uns dos outros de tal maneira que proximidade e distância se tornam fatores indiferentes. Em contrapartida, na medida em que o teatro consiste em um tempo-espaço comum de mortalidade, ele formula como arte performativa a necessidade de lidar com a morte, portanto com a vitalidade da vida. Seu tema é, para falar com Müller, o terror e a alegria da transformação, ao passo que o cinema se caracteriza por assistir à morte. No fundo, é esse aspecto do espaço-tempo comum da mortalidade, com suas implicações éticas e teóricas, que persiste como diferença categórica entre o teatro e as mídias.
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